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OS ALUNOS DÃO PARTIDA DO MESMO PONTO?

O conceito de  CAPITAL CULTURAL descrito por Pierre Bordieu nos ajuda a aprofundar a questão colocada. Esse importante sociólogo francês, que viveu de 1930 a 2002, defendeu que os indivíduos se posicionam no mundo a partir do capital acumulado, que pode ser social, cultural, econômico e simbólico.  Por capital social ele vai dizer da rede de relações construídas por cada um de nós, mostrando que na competição do dia-a-dia, os “contatos” das pessoas tendem a fazer a diferença. Já o capital cultural é adquirido no campo da educação, iniciando-se no ambiente familiar, onde a criança pode ter ou não acesso a livros, revistas, computadores e informações cotidianas, bem como, outras habilidades sociais facilitadas pelo aparato sócio-econômico. Tal construção vai se reproduzir no ambiente escolar, estabelecendo hierarquias entre os alunos que têm mais  quantidade e qualidade desses elementos.   O que é mais curioso nessas observações de Bordieu seria a constatação de que os alunos mais pobres reconheceriam o sucesso daqueles que teriam maior bagagem cultural como resultado de um esforço pessoal, esforço esse que eles próprios não teriam feito.  Como a instituição escola não educa considerando todos em um “zero” de aprendizado, os alunos mais pobres estariam sempre em desvantagem, ainda mais quando a competição nesse ambiente é assumida como a principal referência de sucesso da escola.

Saulo Rodrigues de Moraes – Psicólogo -  Instituto Superatum

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Um Meio ou uma Desculpa (Roberto Shinyashiki)

Artigo indicado por Gleice Eller

Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho, sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes.

Da mesma forma, se você quiser construir uma relação amiga com seus filhos, terá que se dedicar a isso, superar o cansaço, arrumar tempo para ficar com eles, deixar de lado o orgulho e o comodismo.

Se quiser um casamento gratificante, terá que investir tempo, energia e sentimentos nesse objetivo.

O sucesso é construído à noite!

Durante o dia você faz o que todos fazem.

Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial.

Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados.

Não se compare à maioria, pois, infelizmente ela não é modelo de sucesso.

Se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chope com batatas fritas.

Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão.

Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina.

A realização de um sonho depende de dedicação, há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores pois…

Quem quer fazer alguma coisa, encontra um MEIO.

Quem não quer fazer nada, encontra uma DESCULPA.

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Dez passos para que seus filhos se tornem bons leitores

Sugestão de pauta encaminhada pela psicóloga e integrante da equipe do Instituto Superatum, Gleice Eller

Fontes: www.ecofuturo.org.br e www.dianacionaldaleitura.org.br

12 de outubro será o primeiro... Dia Nacional da Leitura
10 passos para que seus filhos se tornem bons leitores
1. Leia em voz alta com eles. Explore com eles os livros e outros materiais de leitura - revistas, jornais, folhetos, almanaques, manuais de instruções, cartazes, placas... Todo material impresso pode ser útil e ocasionar um momento de troca centrado na leitura.
2. Ofereça a eles um ambiente rico em termos de letramento: faça atividades com leitura, mesmo com bebês e crianças bem pequenas, e continue fazendo com as crianças e jovens que já estão na escola.
3. Converse com eles e escute-os quando falam. Isso ajuda muito no desenvolvimento da linguagem oral.
4. Peça para eles recontarem histórias ou informações que você leu em voz alta para eles. (Cuidado para que isso n"ao acabe virando aula! Não é esse o espírito da proposta; precisa ser algo agradável e descontraído.)
5. Incentive-os a desenhar e fazer de conta que escrevam histórias que ouviram. Peça, depois que "leiam" em voz alta. Parece absurdo? Pois não é! Afinal, eles passam o tempo fazendo de conta que cozinham, que dirigem carros, que lutam com inimigos perigosos, que são médicos e professores... Não se esqueça: a ideia é brincar de ler.
6. Dê o exemplo: faça com que eles vejam você lendo e escrevendo. E, por favor, não faça a bobagem de dizer que eles devem aprender a ser diferentes de você, que n"ao gosta de ler! O que conta n"ao é o que você discursa sobre leitura, escrita, estudo: é o que você oferece como exemplo.
7. Vá a biblioteca regularmente com seus filhos. Se for uma biblioteca de empréstimo, é bom cada um ter sua própria ficha de inscrição.
8. Crie uma biblioteca em casa e uma biblioteca pessoal para a criança, onde ela se acostuma a guardar os livros e buscá-los. Na hora de comprar presentes para seu filho, lembre-se dos livros! De quebra, ele ganha competência para lidar com o mundo e abertura da imaginação.
9. Não deixe de fazer um pouco de mistério, para aguçar a curiosidade. Por exemplo: você tem três livros na mão e diz à criança que ela pode escolher entre dois livros. Ela certamente vai dizer que são três, e não dois. Você faz de conta que se enganou, e põe um deles de lado. Adivinha qual deles ela vai querer... Use sua imaginação. Tudo isso é jogo, mas o resultado é que seu filho ganha sempre - e para toda a vida.
10. Leve seus filhos sempre que houver Hora do Conto, teatro infantil e atividades similares na comunidade.


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Leitura Urgente

Artigo publicado por Júlia Moysés (Canal C – Comunicação e Cultura) no Superatum Informa de agosto

livros

Uma vez, escrevendo uma matéria para o Estado de Minas, tive a felicidade de entrevistar Ziraldo. Na entrevista, o escritor mineiro defendia a tese de que a escola deixava o aluno com raiva do livro ao obrigá-lo a ler ao invés de incentivá-lo de maneira criativa. Em conversa recente com a presidente do Instituto Superatum, Maria Amélia, descobri, estarrecida, que o hábito de leitura entre os professores beneficiados é baixíssimo. Só posso supor que os atuais professores um dia foram alunos que tomaram raiva dos livros.

E pode alguém que não tem apreço pelo livro ser educador? Não consigo formular essa pergunta sem lembrar da minha professora Célia e, consequentemente, me emocionar. Célia foi minha professora de português. Logo, descobriu que eu gostava de escrever e não me deu moleza. As minhas redações eram milimetricamente corrigidas. Aconselhava-me a devorar livros como receita certeira da boa escrita. Como recompensa pelo trabalho bem feito, pedia que eu lesse meus textos para a turma e para a diretora. Nem ela e muito menos eu sabíamos, mas ali, na quarta série do colégio Izabella Hendrix, era plantada a sementinha da minha formação como jornalista.

E o que Ziraldo, Maria Amélia e Célia têm em comum? O esclarecimento de que é necessária uma nova abordagem do hábito da leitura dentro do universo escolar. O livro deve fazer parte da vida da escola, não apenas nas bibliotecas (quando elas existem!), mas também na sala, no recreio, na conversa do corredor e até na aula de matemática. Afinal, o gosto pela leitura deveria ser pré-requisito para se tornar professor de qualquer que seja a disciplina. É imprescindível e urgente que esse problema seja atacado de frente. Novas sementes aguardam ansiosas por serem plantadas.

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Sugestão de Artigo: Brasileiro não gosta de ler?

A professora Vanda Rosignoli, que participa como palestrante de capacitações do Instituto Superatum, nos premiou com a indicação de um artigo da escritora Lya Luft sobre um tema que está muito presente nas ações do Superatum:  o hábito da leitura.  O artigo foi publicado na Revista Veja, no dia 08 de agosto. Segue:

Sábado, Agosto 08, 2009

Lya Luft

veja

Brasileiro não gosta de ler?

A meninada precisa ser seduzida. Ler pode ser divertio e interessante, pode enstusiasmar, distrair e dar prazer.

Não é a primeira vez que falo nesse assunto, o da quantidade assustadora de analfabetos deste nosso Brasil. Não sei bem a cifra oficial, e não acredito muito em cifras oficiais. Primeiro, precisa ser esclarecida a questão do que é analfabetismo. E, para mim, alfabetizado não é quem assina o nome, talvez embaixo de um documento, mas quem assina um documento que conseguiu ler e… entender. A imensa maioria dos ditos meramente alfabetizados não está nessa lista, portanto são analfabetos – um dado melancólico para qualquer país civilizado. Nem sempre um povo leitor interessa a um governo (falo de algum país ficcional), pois quem lê é informado, e vai votar com relativa lucidez. Ler e escrever faz parte de ser gente.

Sempre fui de muito ler, não por virtude, mas porque em nossa casa livro era um objeto cotidiano, como o pão e o leite. Lembro de minhas avós de livro na mão quando não estavam lidando na casa. Minha cama de menina e mocinha era embutida em prateleiras. Criança insone, meu conforto nas noites intermináveis era acender o abajur, estender a mão, e ali estavam os meus amigos. Algumas vezes acordei minha mãe esquecendo a hora e dando risadas com a boneca Emília, de Monteiro Lobato, meu ídolo em criança: fazia mil artes e todo mundo achava graça.

E a escola não conseguiu estragar esse meu amor pelas histórias e pelas palavras. Digo isso com um pouco de ironia, mas sem nenhuma depreciação ao excelente colégio onde estudei, quando criança e adolescente, que muito me preparou para o mundo maior que eu conheceria saindo de minha cidadezinha aos 18 anos. Falo da impropriedade, que talvez exista até hoje (e que não era culpa das escolas, mas dos programas educacionais), de fazer adolescentes ler os clássicos brasileiros, os românticos, seja o que for, quando eles ainda nem têm o prazer da leitura. Qualquer menino ou menina se assusta ao ler Macedo, Alencar e outros: vai achar enfadonho, não vai entender, não vai se entusiasmar. Para mim esses programas cometem um pecado básico e fatal, afastando da leitura estudantes ainda imaturos.

Como ler é um hábito raro entre nós, e a meninada chega ao colégio achando livro uma coisa quase esquisita, e leitura uma chatice, talvez ela precise ser seduzida: percebendo que ler pode ser divertido, interessante, pode entusiasmar, distrair, dar prazer. Eu sugiro crônicas, pois temos grandes cronistas no Brasil, a começar por Rubem Braga e Paulo Mendes Campos, além dos vivos como Verissimo e outros tantos. Além disso, cada um deve descobrir o que gosta de ler, e vai gostar, talvez, pela vida afora. Não é preciso que todos amem os clássicos nem apreciem romance ou poesia. Há quem goste de ler sobre esportes, explorações, viagens, astronáutica ou astronomia, história, artes, computação, seja o que for.

O que é preciso é ler. Revista serve, jornal é ótimo, qualquer coisa que nos faça exercitar esse órgão tão esquecido: o cérebro. Lendo a gente aprende até sem sentir, cresce, fica mais poderoso e mais forte como indivíduo, mais integrado no mundo, mais curioso, mais ligado. Mas para isso é preciso, primeiro, alfabetizar-se, e não só lá pelo ensino médio, como ainda ocorre. Os primeiros anos são fundamentais não apenas por serem os primeiros, mas por construírem a base do que seremos, faremos e aprenderemos depois. Ali nasce a atitude em relação ao nosso lugar no mundo, escolhas pessoais e profissionais, pela vida afora. Por isso, esses primeiros anos, em que se aprende a ler e a escrever, deviam ser estimulantes, firmes, fortes e eficientes (não perversamente severos). Já se faz um grande trabalho de leitura em muitas escolas. Mas, naquelas em que com 9 ou 10 anos o aluno ainda não usa com naturalidade a língua materna, pouco se pode esperar. E não há como se queixar depois, com a eterna reclamação de que brasileiro não gosta de ler: essa porta nem lhe foi aberta.

 

A educação vai mal?

É comum ouvirmos dizer que a educação no Brasil vai mal. Não, ela não vai mal. Ela vai muito mal.

Milhares de formandos são despachados pelas escolas, cursos técnicos, faculdades e até universidades, com seus diplomas – muitas vezes conquistados com enormes sacrifícios – sem estarem adequadamente preparados para serem valorizados pelo mercado de trabalho.

Claro que ainda temos excelentes cursos espalhados pelo país. E podemos estender essa excelência a todas as escolas.

Nós, do Instituto Superatum, trabalhamos com a capacitação de educadores de creches e do ensino básico ao médio. Acreditamos que o cuidado com os educadores que estão na base é o primeiro passo a ser dado no enfrentamento do problema da educação no país. É aí que tudo deve começar. Aprender a gostar de estudar de ler e de questionar. Ter a curiosidade despertada.

Como conseguir isso? Capacitando os educadores, levando-os a reconquistar a alegria de ensinar.

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O que é o Instituto Superatum

foto superatum

Aos professores, fica o convite para que não descuidem de educar as pessoas para serem ‘águias’ e não apenas ‘galinhas’. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda” – Paulo Freire.

Com o objetivo de auxiliar educadores na difícil tarefa de formarem cidadãos conscientes e participativos foi criado o Instituto Superatum. Suas origens estão em 2001, quando sua presidente, Maria Amélia Monteiro Pires, criou um projeto que leva às obras da construtora Mascarenhas Barbosa-Roscoe aulas de alfabetização e reforço escolar. Essa e outras ações deram origem ao Setor de Ação Social da MBR responsável por diversos projetos de promoção do bem-estar de colaboradores e comunidade. Em 2009, Maria Amélia decidiu empreender um desafio ainda maior, fundando, com o apoio de 17 pessoas que conheciam seu trabalho na MBR, o Instituto Superatum.

Trata-se de uma instituição do terceiro setor que oferece capacitações temáticas e acompanhamentos a educadores de escolas públicas e privadas, localizadas em Belo Horizonte e Região Metropolitana. O objetivo é estimular a participação deles no desenvolvimento saudável de seus educandos para além das disciplinas curriculares, contribuindo para a formação intelectual, social, afetiva e moral. Também são difundidas boas práticas de convivência dentro e fora da escola, uma vez que o trabalho envolve, além dos educadores, estudantes e famílias. A capacitação pedagógica é acompanhada da transmissão de valores éticos e morais, noções de direitos humanos e promoção da cidadania.

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