Contando Histórias e encantando!

No mês de setembro a contadora de histórias Lucrécia Leite e o Instituto Superatum estiveram nas creches Amélia Crispim, Imaculada Conceição, MOPS, Padre Francisco Carvalho Moreira encantando as crianças com emocionantes histórias!

BRINCANDO COM OS QUATRO ELEMENTOS DA NATUREZA

As vivências e brincadeiras com os elementos naturais propiciam inúmeras conquistas:

- Autonomia e segurança

- 0 Conhecimento do próprio corpo,

- Habilidades motoras, destreza e equilíbrio corporal

- Florescimento da imaginação e fantasia

- Interesse e encantamento pelo mundo

- Vitalidade e saúde

Terra, água, ar e fogo estão por toda a parte, são forças vitais que compõem toda a natureza.

Estão fora e dentro de nós, pois somos também natureza.

Colocar a criança em contato com os 4 elementos é conectá­-la com sua própria essência, é desfrutar da comunhão com sua natureza interna.

Luciana Moreira – Brinquedista

Creche IPEMIG

Livro: O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura

A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo. Esse ser obscuro, que Iván passa a denominar o homem que amava os cachorros, confia a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador reconstrói a trajetória de Liev Davidovitch Bronstein, mais conhecido como Trotski, teórico russo e comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro, exilado por Joseph Stalin após este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou, um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante comunista, uma única tarefa – eliminar Trotski. São descritas sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por inúmeras mistificações. As duas trajetórias ganham sentido pleno quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com o homem que amava os cachorros.

O INSTITUTO SUPERATUM EXPANDE SEU TRABALHO PARA CRECHES DAS REGIONAIS OESTE, NOROESTE E NORTE

No primeiro semestre de 2017 o Instituto Superatum passou a atender creches dessas três regionais de Belo Horizonte. Trazemos expectativas muito positivas para o trabalho iniciado nas Creches Santo Tomás de Aquino, Creche e Abrigo Infantil Vovó Dudu, Creche Esperança e Creche Madre Mazzarello.


Formação de Educadoras na Creche Madre Mazzarello

No dia 30.06.17 o Instituto Superatum promoveu na Creche Madre Mazzarello, Bairro Nova Cintra, momentos de formação com a brincante Rose Resende. O trabalho junto à Creche Madre Mazzarello foi iniciado recentemente e a mobilização das educadoras infantis e demais funcionárias foi intensa. A expectativa que trazemos é da geração de bons frutos a partir dessas novas possibilidades de qualificação do trabalho com as crianças.

Capacitação – Contação de Histórias

No dia 27 de julho de 2016 o Instituto Superatum, em parceria com o Sistema Divina Providência, realizou uma formação de Contação de Histórias através de oficinas conduzidas pelo grupo Chuva de Histórias.

O CAQUI – Rubem Alves

O CAQUI

Gosto muito da Itália. Lá fiz muitos amigos. O que sinto é não saber falar italiano, uma língua tão bonita.  Lá, quando vou fazer uma fala, tenho de me valer de um intérprete. De vergonha, pus-me a estudar italiano. Estudo o “Berlitz” antes de dormir.

Pois me convidaram a fazer uma fala num congresso da “Fundação da Carta da Terra.” Carta da Terra é um tipo de “Direitos Humanos”. É um documento lindo, que deveria ser objeto de estudo nas escolas e no Congresso Nacional.

Pediram-me que falasse poeticamente sobre “Jardins”, que é um dos temas que repito sempre. O que é belo deve ser repetido, como os poemas e as músicas. Mas, vocês sabem, existe dentro de mim um Rubem brincalhão… Aí comecei a falar sobre o “Paraíso”, que é o grande sonho de Deus – para aqueles que lêem as Escrituras Sagradas.

Lembrei-me da tela de Dürer em que pintou Adão e Eva, os seres paradisíacos. Adão e Eva, corpos esculturais, cheios de vida. Notei, entretanto, que o pintor cometeu três erros.

Primeiro, ele colocou  umbigos na barriga de Adão e de Eva. Por  esse erro  ele poderia ter ido parar na fogueira. Esse detalhe, Adão e Eva com umbigos é, claramente, uma heresia. Umbigos só existem em seres nascidos de mulheres. Mas Adão e Eva não nasceram de mulheres. Saíram diretamente das mãos do Criador. Portanto, não tinham umbigo.

Segundo erro: Adão e Eva foram pintados ainda no seu estado de inocência. Prova disso está no fato de que as maçãs que têm nas mãos ainda não foram mordidas.  Estão inteiras. Portanto, como diz o texto bíblico, eles estavam nus e não se envergonhavam. Assim sendo, não existe razão alguma para que eles sejam pintados colocando o precário galho com uma maçã na ponta sobre as partes mais interessantes do corpo. Eles deveriam estar exibindo despudorada e castamente a sua linda nudez.

E, em terceiro lugar, o pintor pintou a maçã como sendo o fruto tentador, o furto  [ Revisor: é “furto” mesmo ]proibido. O que está errado. O fruto proibido tinha de ser um fruto de potência sedutora máxima. O que não é o caso da maçã.  A maçã  é fruta pudica. Não se despe por vontade própria. Só tira a roupa sob a violência da ponta da faca. E ainda geme quando é mordida.  Comer uma maçã é sempre um estupro.

Acho que o fruto tentador só poderia ter sido o caqui. O  caqui  inteiro é tentação. É só olhar pra ele para que ele diga, vermelho e lascivo: “Me coma, vá…” E basta relar o dedo na sua carne para que ele se dispa e seus sucos vermelhos comecem a escorrer.

As potências eróticas, heréticas, filosóficas e teológicas do caqui estão presentes  no poema “O Caqui”, de Heládio Brito:
O vento, o vento ali.
Mínimo sol por d’entre galhos,
de trás, de frente, álacre, o caqui.
Um ser-aí. Cá, aqui.
Redondo gesto e gesta vegetal
e uma festa de cor, pingo no i.
Bem maior que a pi-tanga,
menor que a manga,
o seu raio (ex)sangra,
dois, vezes o pi.
A pele tranasluz. Si dá.
A carne é mansa. E-d’entro
o hirto centro: sêmen
te do existir  e hífen do prazer.
Não vi? E é fruta.
Ou é fruto do inconsciente?
Abrupto estar, não-ser-aíí?
Ou é silêncio ou grito?
Ou é sumo ou suma teológica?
Uma fruta? Fruto-em-si?
Comi? Ou não comi?
E é acre. Doce. Pouca.
Nódoa, travo na boca. E o vento, o vento ali…”

Oficina, Papirus, p. 11 ).

Foi isso que disse Adão depois de comer o caqui…

No dia seguinte recebi um telefonema de uma pessoa que  eu não conhecia. Convidava-me a visitar um prédio que em tempos passados havia sido um mosteiro onde viviam reclusas e castas duzentas freiras. Aceitei o convite e fui na hora marcada. Ele me levou então para o jardim interior do mosteiro e me contou a seguinte história:
Depois da bomba atômica que matou 200.000 pessoas em Hiroshima e torrou todas as coisas vivas, houve uma árvore que sobreviveu. Era um caquiseiro. Esse caquiseiro passou a ser  então, , para o japoneses,  um símbolo do triunfo da vida sobre a morte.  Os japoneses o tomaram sob seus cuidados,  colheram seus frutos, plantaram suas sementes e espalharam suas mudas por muitas cidades do mundo. Uma das cidades agraciadas com essa dádiva fora  Brescia, onde estávamos.”

Me apontou então para uma árvore plantada  no meio do jardim. Estávamos diante  de uma filha ( quem sabe uma neta?) do caquiseiro que sobrevivera à bomba atômica de Hiroshima…

Senti-me como Moisés diante da árvore que se incendiava sem se consumir… Com medo de estar fazendo um pedido impróprio, perguntei-lhe se me seria permitido apanhar três folhas do caquiseiro. Ele disse que sim. Apanhei as folhas. Coloquei-as dentro de guardanapos de papel para desidratá-las.  Trouxe-as para Campinas.  Pintei-as com verniz para preservá-las do contacto com o ar. A seguir levei-as a uma loja especializada e mandei fazer um quadro.

As folhas estão agora na minha parede. Quem só vê o quadro não entende:  as folhas não têm nenhuma beleza especial… Então eu conto a estória…
Passadas duas semanas recebi da Itália um e-mail. Informavam-me que a fundação que cuidava do caqui estava disposta a dar-me uma muda a ser plantada nalgum lugar. Onde? – me perguntei. Não na minha casa.  Aquela árvore é um símbolo para o mundo todo. Não num jardim público. Tenho medo dos vândalos. Imaginei então que um bom lugar seria a Fazenda Santa Elisa. Faríamos um jardim cercado por um espelho de água  com peixes e plantas aquáticas… E no centro, protegida pelo espelho dágua, a arvorezinha.

As escolas poderiam levar as crianças para visitá-la. E então  os professores e professoras lhe contariam a história.

Fonte: http://www.rubemalves.com.br

EDUCAÇÃO INCLUSIVA

A educação inclusiva tem sido um tema de ampla discussão nos diferentes ambientes educativos nos últimos anos. A proposta consiste em promover a inclusão de pessoas com necessidades especiais na rede regular de ensino. Espera-se atender e acompanhar de forma efetiva os educandos em suas diferentes necessidades e processos de desenvolvimento e aprendizagem dando passos significativos para a transformação da educação no Brasil.

Consequentemente, o número de pessoas inscritas em instituições educativas que oferecem um atendimento diferenciado e especializado, com estruturas adaptadas, equipamentos, recursos e profissionais capacitados têm diminuído progressivamente. E as escolas públicas, mesmo com seus grandes desafios, estão acolhendo novos educandos e com eles, importantes desafios.

Falar de inclusão continua sendo um grande desafio mesmo estando no sec. XXI. Século dos grandes avanços científicos e tecnológicos. Era da globalização em que a comunicação e as relações se estreitam ainda mais por meio dos “links” invisíveis dos múltiplos meios de comunicação social. Tempos em que nasce uma geração de maior tolerância e até mesmo apreço pelo diferente.

Tratar de educação inclusiva neste contexto exige profissionalismo e posturas permeadas de princípios e valores éticos, porque permanecem abertas muitas feridas e marcas deixadas pela longa historia de exclusão social.

Educação inclusiva, portanto, não supõe apenas uma reestruturação do espaço físico dos centros educativos, como ainda pensam algumas pessoas e órgãos públicos. Faz-se necessário mais que uma transformação física da escola. Torna-se imprescindível uma transformação que comece desde dentro das pessoas envolvidas e em toda a sociedade. Urge uma mudança de paradigmas e ate mesmo da própria linguagem. E por suposto uma renovação das políticas públicas.

O Direito ao acesso a Escola, precisa estar respaldado pelo compromisso do Estado de investir na educação, garantindo a reestruturação dos espaços físicos e a promovendo formação, capacitação e qualificação dos profissionais de educação.  Requer uma constante transformação das estruturas sociais para que a inclusão aconteça não apenas dentro da escola, mas em toda a vida social.

Consiste em um desafio social trabalhar e resgatar importantes valores como respeito, dignidade, cuidado, cooperação, colaboração e a acolhida. Somente assim se notará com maior evidencia os traços de transformação da educação no Brasil.

Gislaine dos Santos – Educadora Infantil – Creche Olívia Tinquitella

Fonte imagem: http://www.usp.br/aun/exibir.php?id=5186